Relatório de conclusão do caso Romano indicia ex-deputado Jalser Renier e PMs por integrar organização criminosa

  • 05/08/2022
(Foto: Reprodução)
Grupo é suspeito de monitorar e acompanhar pessoas de interesse do ex-deputado, entre elas a procuradora-geral de Justiça, Janaína Carneiro. Documento foi entregue à Justiça de Roraima e deve ser analisado pela 1ª instância, na Vara de Entorpecentes e Organizações Criminosas. Romano dos Anjos foi sequestrado pelo grupo em outubro de 2020. Jalser Renier foi cassado em fevereiro deste ano Caíque Rodrigues/g1 RR O relatório de conclusão do caso Romano dos Anjos indiciou o ex-deputado Jalser Renier e outros nove envolvidos como suspeitos de integrar uma organização criminosa e causar embaraço às investigações. O documento foi entregue pela Polícia Civil para a Justiça de Roraima e deve ser analisado pela 1ª instância, na Vara de Entorpecentes e Organizações Criminosas. Conforme o relatório, assinado pelo delegado João Luiz Evangelista, responsável pela força-tarefa que investiga o caso, o grupo era voltado ao monitoramento de pessoas, espionagem e ações violentas contra adversários políticos e críticos. As atividades iniciaram em 2015 e seguiram até 2021, período em que Jalser Renier presidia a Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR). Além do ex-deputado, oito policiais militares e um ex-servidor da Assembleia Legislativa se tornaram réus em junho deste ano pelo sequestro e tortura do jornalista Romano dos Anjos. O crime foi em outubro de 2020. Por conta da investigação, Renier respondeu a processo na Casa por quebra de decoro e foi cassado e perdeu o mandato de deputado após 27 anos no poder A organização é suspeita de monitorar e acompanhar pessoas de interesse do ex-deputado, entre elas a procuradora-geral de Justiça, Janaína Carneiro, além de um funcionário da prefeitura de Boa Vista e outros jornalistas. Conforme o relatório obtido pela Rede Amazônica, o grupo atuava no parlamento, vinculados ao Gabinete Militar e Serviço de Inteligência e Segurança Orgânica (SISO), além de ter apoio de militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE). Tratava-se de uma faceta da criminalidade voltada a sustentação e manutenção de uma elite específica ligada diretamente ao parlamento estadual Jalser Renier Padilha [...] Institucionalizou as atividades do grupo de forma a gerar aparência de legitimidade, quando na verdade, impulsionava arbitrariamente a máquina pública para monitorar adversários políticos, autoridades públicas e jornalistas, cita trecho do relatório. O grupo estava disposto a qualquer tipo de medida necessária a perpetuar-se no poder e o sequestro e tortura do jornalista Romano dos Anjos foi o ápice da empreitada criminosa. LEIA MAIS: 27 ANOS NO PODER: Jalser Renier perde mandato por quebra de decoro após 27 anos como deputado RÉUS: Ex-deputado Jalser Renier e PMs viram réus por sequestro e tortura de jornalista MANDANTE: Jalser Renier é suspeito de ser o mandante do sequestro de jornalista JORNALISTA ENCONTRADO VIVO: Romano dos Anjos é encontrado com braço quebrado e pernas lesionadas após sequestro Entre as atividades exercidas pelo grupo estavam a atuação direta na segurança de Jalser e sua família. Já outra parte era responsável por atividades de logística na ALE-RR e outra vinculadas às atividades de inteligência orgânica e levantamento de dados. O grupo possuía comando de ordens superiores para exercer as atividades. Além de Jalser, os demais indiciados pelos crimes de constituição de organização criminosa e embaraço à investigação são: Moisés Granjeiro De Carvalho (coronel) Natanael Felipe De Oliveira Junior (coronel) Paulo Cezar de Lima Gomes (tenente-Coronel) Vilson Carlos Pereira Araújo (major) Nadson José Carvalho Nunes (subtenente) Clovis Romero Magalhães Souza (subtenente) Gregory Thomaz Brashe Junior (sargento) Thiago De Oliveira Cavalcante Teles (soldado) Luciano Benedito Valério (ex-servidor) Já o militar Bruno Inforzato e o servidor Willian Pereira foram indiciados pelo crime de embaraço nas investigações. Os policiais estão presos preventivamente desde setembro e outubro do ano passado. Em nota, a defesa de Nadson afirmou que o acusado é completamente inocente sobre as acusações que foram imputadas, pois não há qualquer indício de execução e nem participação ou materialidade do crime de orcrim [organização criminosa. Já a defesa de Clóvis disse que não teve acesso ao relatório de indiciamento pelos crimes de “organização criminosa” e “embaraço a investigação”, o que impossibilita se posicionar há como se posicionar sem saber os exatos termos do suposto indiciamento. O g1 tenta contato com as defesas dos demais citados. Monitoramento Ainda de acordo com o relatório, há indícios de que o grupo já ameaçava profissionais da imprensa desde 2016. Um profissional registrou um boletim de ocorrência de perseguição ao seu veículo e disparos de arma de fogo contra a casa do jornalista. Já em 2019, há provas de que o grupo monitorava outro jornalista. A conversa dos militares sugerem que o local vigiado era uma rádio. Trecho do relatório com conversa de militares Reprodução Em um dos vídeos obtidos na investigação da Polícia Civil, a residência da procuradora-geral de Justiça, Janaína Carneiro foi filmada monitorada pelo grupo também em 2019. No vídeo, um dos PMs diz: é essa casa aqui? As investigações apontam que os veículos usados nos monitoramentos eram alugados pela Assembleia Legislativa, corroborando os indícios de organização criminosa institucionalizada. Os policiais exerciam as tarefas de espionagem fora das funções públicas. Uma das pessoas monitoradas foi um funcionário da prefeitura de Boa Vista. À época, o carro do servidor estava adesivado com imagens de políticos adversários de Jalser, como o atual prefeito de Boa Vista, Arthur Henrique (MDB), segundo o documento. Além do monitoramento de pessoas, os policiais também faziam consultas de placas de veículos por meio de bancos de dados oficiais. Dias após o sequestro de Romano, o grupo chegou a monitorar um carro da Polícia Federal. A organização criminosa ainda se beneficiava da expertise de policiais militares da ativa, bem como, tinha acesso a banco de dados sensíveis da Administração Pública, o que possibilitava realizar o monitoramento e vigilância de opositores ou adversários políticos. Caso Romano Jalser Renier foi apontado como mandante do sequestro do jornalisa em outubro de 2020 Arquivo g1 À época do crime, Jalser Renier era presidente da Assembleia Legislativa de Roraima. Na investigação, o MP apontou que ele usou do poder que tinha para cometer o crime com a ajuda dos policiais, a maioria oficiais da Polícia Militar. Por conta da investigação, ele respondeu a processo na Casa por quebra de decoro e foi cassado e perdeu o mandato de deputado após 27 anos no poder. Jalser chegou a ser preso e algemado por conta do crime. Porém, depois ganhou liberdade. Atualmente, ele cobra na Justiça que o estado o indenize em meio milhão por ter sido algemado. O Ministério Público de Roraima atua no processo pela 1ª Promotoria de Justiça Criminal com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado(Gaeco). Durante as investigações foram deflagradas duas fases da Operação Pulitzer - o nome da operação faz referência ao prêmio internacional Pulitzer, que é concedido a pessoas que realizam trabalhos de excelência na área de jornalismo. No último dia 15 de julho, o Ministério Público pediu a prisão do deputado. A Rede Amazônica apurou que o pedido prisão foi motivado porque o ex-deputado estaria colocando dificuldades para receber as notificações judiciais do processo como uma forma de atrapalhar o andamento do processo. O sequestro do jornalista Romano dos Anjos, de 40 anos, ocorreu na noite do dia 26 de outubro de 2020. Ele foi levado de casa no próprio carro. O veículo foi encontrado pela polícia queimado cerca de uma hora depois.

FONTE: https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2022/08/05/relatorio-de-conclusao-do-caso-romano-indicia-ex-deputado-jalser-renier-e-pms-por-integrar-organizacao-criminosa.ghtml


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